- Mas gosto, gosto das pessoas. Não sei me comunicar com elas, mas gosto de vê-las, de estar a seu lado, saber suas tristezas, suas esperas, suas vidas.
Assim como a água salgada aumenta a sede de quem a bebe, aqueles elogios só aumentavam a minha necessidade de ouvi-los. Pior ainda: para não perder a admiração dos Outros, eu me sentia obrigada a atender às suas expectativas. Em pouco tempo, percebi que eu estava vivendo a vida que os Outros escolheram para mim, não aquela com que sempre sonhei.
- Livro "A Rosa Perdida - Serdar Ozkan"
Página 44 - Parágrafo 4 e 5
E você me olha com essa carinha banal de "me espera só mais um pouquinho". Querendo me congelar enquanto você confere pela centésima vez se não tem mesmo mulher melhor do que eu. E sempre volta.
E você coloca o fone no ouvido no volume máximo pra evitar ouvir certas coisas.. pega teu caderno e começa a desabafar nele, já que seu intuito nos dias de hoje é de que ninguém saiba do que se passa no teu coração.
É erótico ver uma mulher que sorri, que chora, que vacila, que fica linda sendo sincera, que fica uma delícia sendo divertida, que deixa qualquer um maluco sendo inteligente. Não conheço Strip-tease mais sedutor.
Escolha, entre todas elas, aquela que seu coração mais gostar, e persiga-a até o fim do mundo. Mesmo que ninguém compreenda, como se fosse um combate. Um bom combate, o melhor de todos, o único que vale a pena. O resto é engano, meu filho, é perdição.
Não quero uma vida pequena, um amor pequeno, uma alegria que caiba dentro da bolsa. Eu quero mais que isso. Quero o que não vejo. Quero o que não entendo. Quero muito e quero sem fim.
Arrependimento não é pra mim. O certo é: Pensar bem no que quer, fazer o que é certo e não chorar se algo, por algum motivo, resolver dar errado e você sair machucado.
"Não sei quantas almas tenho. Cada momento mudei. Continuamente me estranho. Nunca me vi nem acabei. De tanto ser, só tenho alma. Quem tem alma não tem calma. Quem vê é só o que vê, Quem sente não é quem é, Atento ao que sou e vejo, Torno-me eles e não eu. Cada meu sonho ou desejo É do que nasce e não meu. Sou minha própria paisagem; Assisto à minha passagem, Diverso, móbil e só, Não sei sentir-me onde estou. Por isso, alheio, vou lendo Como páginas, meu ser. O que segue não prevendo, O que passou a esquecer. Noto à margem do que li O que julguei que senti. Releio e digo: "Fui eu?" Deus sabe, porque o escreveu."